Perguntas Frequentes e Respostas

  • Como se realiza o acompanhamento em Psicoterapia?

    O processo terapêutico tem início com uma primeira consulta. A primeira consulta tem como finalidade a compreensão das questões e/ou problemas que motivam a procura deste recurso. No final, define-se o tipo de avaliação necessária. Apenas depois da avaliação psicológica e/ou neuropsicológica será definido o plano de intervenção que será explicado com base nos resultados do exame.
    Posteriormente, os resultados do exame são devolvidos em formato oral, na forma de um relatório, e são explicados oralmente. Será neste momento que se irá definir a necessidade, ou não, de um processo de Psicoterapia.

  • Porque tenho de fazer uma avaliação psicológica ou neuropsicológica?

    Porque sim.

  • Quanto tempo dura o acompanhamento em Psicoterapia? Qual a frequência das sessões?

    Depende de ti.

  • Estou longe. Posso ter consultas de qualquer das formas?

    Sim!

  • Tem algum tipo de acordo ou protocolo? Como funciona a comparticipação da ADSE?

    Temos. Dependendo dos protocolos, poderá ter até 50% de desconto. No caso da ADSE, não temos um protocolo convencionado. Contudo, se apresentar uma declaração feita pelo médico de família, a ADSE comparticipa as consultas em Psicologia.

  • Porquê “Clínica de Psicoterapia Pós-Clássica”?

    Porque utilizamos uma perspetiva psicológica, que se destaca das classicamente estabelecidas.

  • O que é a abordagem/perspectiva Relacional-Histórica?

    Segundo Leontiev (2005), durante as últimas duas décadas algumas mudanças conceituais importantes puderam ser observadas nos pensamentos psicológico e humanitário ocidentais. Vários vetores dessas mudanças podem ser listados:
    ● do cognitivismo para o construcionismo social,
    ● do monologismo para o discurso eclético,
    ● da psicologia negativa para a psicologia positivista,
    ● do potencialismo ao existencialismo,
    ● da psicologia do comportamento para a psicologia da vida.

    A Psicologia descobriu, durante as últimas duas décadas, uma grande variedade de perspetivas divergentes, abordagens gerais na Psicologia Ocidental, em alternativa a uma só Psicologia.
    Estas abordagens teóricas podem ser divididas em dois paradigmas principais:
    ● um paradigma sócio-semântico, cujo foco incide sobre a linguagem e o discurso social (o construcionismo social, etnometodologia, a abordagem etogénica, etc.)
    ● um paradigma relacional, com o foco no indivíduo e as suas relações com mundo, como o elo fundamental para a compreensão dos fenómenos psicológicos (teoria de Lewin, as teorias relacionais de Murray e Nuttin, as teorias analítico-existenciais de Binswanger e May).

    A ideia da Psicologia Pós-Clássica foi introduzida por Daniel Elkonin para designar o ponto central da abordagem Vygotskiana (Leontiev, 2005).

    Ao contrário da visão cartesiana que assumiu a fronteira principal entre o interno e o externo, que localiza toda a vida mental “dentro”, Vygotsky afirmou que os conteúdos e processos mentais existem em formas extracerebrais, isto é, em signos culturais e na comunicação interpessoal, antes do seu funcionamento intra-individual.

    A Teoria da Atividade, elaborada por Leontiev (1997), mantém todo o espírito meta-teórico do pensamento inovador de Vygotsky. A atividade intencional, concetualizada por Leontiev (1997), serve como um elo de mediação entre realidade mental e realidade externa. Este afirmou explicitamente que a distinção, realmente importante na psicologia, é a que é efetuada entre o conteúdo e o processo e as suas transições, ao invés da distinção e as transições entre o interno e o externo. Tendo adotado o conceito de interiorização do conteúdo mental de Vigotsky, Leontiev considera a “desobjectivação”, isto é, a transição de sinais ou artefactos históricos para formas de atividade individual, o lado mais importante desse processo.

    A persoectiva Pós-Clássica da Psicologia manifesta-se claramente na teoria da personalidade de Leontiev, onde refere que a estrutura da personalidade é constituída por atividades ou relações de vida, isto é, por formas especiais de conexão com o mundo, mais do que por disposições internas ou traços.

    A Psicologia Pós-Clássica é definida como “a ciência do modo como o mundo subjetivo de uma única pessoa emerge do mundo objetivo da arte, do mundo das ferramentas de produção, do mundo de toda a indústria” (Leontiev, 1999).

    De facto, ao contrário de toda a Psicologia Clássica, na perspetiva teórica de Vygotsky, os estados e processos mentais são vistos como localizados, não só dentro da mente do indivíduo. Ao contrário da visão cartesiana que assumiu a fronteira principal entre interno e externo, considerando que toda a vida mental está definitivamente localizada “dentro”, Vygotsky afirma que os conteúdos e processos mentais existem fora da mente, no mundo dos artefactos humanos, em estruturas de signos culturais, no meio ambiente feito pelos humanos e na comunicação interpessoal, antes de seu funcionamento intra-individual. Dá-se a transição de uma forma para outra, da forma objetivada de existência dos fenómenos mentais humanos para as formas subjetivadas de reais processos mentais.
    Um dos exemplos é muito bem ilustrado por Vygotsky, na obra “Psicologia da Arte” (Vygotsky, 1999), onde este explica claramente que os processos e conteúdos mentais humanos são objetivados na estrutura de obras de arte. Para Vygotsky, o processo de criação artística é uma transformação de sentimentos e emoções humanas de uma forma de existência subjetiva, para outra objetiva. O movimento inverso ocorre no processo de perceção da arte. Elkonin observou que se trata, essencialmente, da formulação preliminar do princípio geral de desenvolvimento, mais tarde elaborado por Vygotsky, num contexto mais amplo: de interpsíquico a intrapsíquico (Vygotsky, 2003)
    Segundo Leontiev (2005), a ideia de Psicologia Não-Clássica tornou-se bastante popular entre os estudiosos russos, (Asmolov, 1996; Dorfman, 1997; D. Leontiev, 1999; Sobkin & Leontiev, 1992 apud Leontiev, 2005). O princípio de Vygotsky de interação entre o mundo subjetivo psicológico e o mundo objetivo sóciocultural foi complementado por alguns outros pontos de vista não tradicionais desenvolvidos por influentes autores russos:
    ● as ideias de Bakhtin (2002) sobre ser-no-mundo,
    ● a ontologia de Rubinstein (1997) sobre a interação entre o indivíduo e o mundo,
    ● a visão Copernicana do humano de A. N. Leontiev (1997),
    ● o conceito de forma convertida de M. Mamardashvili (1970).
    Todos eles se fundem no conceito atual de Psicologia Não-Clássica, que se tornou bastante popular na Rússia nos últimos anos.
    Segundo D. Leontiev o ideal da Psicologia Não-Clássica reivindica por um movimento com três principais direções:
    ● Compreender a compreensão dinâmica do desenvolvimento do humano, num mundo em constante transformação, a partir da descrição estática;
    ● Deixar de tratar o humano como produto isolado já predisposto biologicamente para o desenvolvimento, para passar a entendê-lo como envolvido na troca permanente de conteúdos e estruturas psicológicas com o mundo exterior, especialmente com a herança Sócio-Histórica da experiência humana acumulada e compartilhada;
    ● Deixar de perceber o humano como determinado por alguns, para entendê-lo como autodeterminado, como “causa sui”, no sentido de Espinosa.
    Em 2009, na apresentação realizada por Quintino Aires sobre “O Modelo Relacional- Histórico”, na Universidade de Moscovo, conferência que culminou com a cerimónia de entrega do título de Professor Emérito da mesma universidade, o autor discorda da tradução “Psicologia Sócio-Histórica”, alertando para as falhas de interpretação da teoria que daqui advêm. Segundo Quintino Aires, o termo “social” é muitas vezes e facilmente confundido com “societal”, que designa apenas a capacidade de interação de um organismo com os outros elementos da sua espécie, de que são exemplo as formigas, as abelhas, os primatas, etc., porém o ser humano não é apenas “societal”, é sim relacional, uma vez que só o ser humano modifica os outros e o meio ambiente, assim como a si próprio dentro de uma relação com características muito especiais. Quintino Aires propôs, então, a denominação de Psicologia Relacional-Histórica.
    Mais tarde, em 2010, no Estoril Vigotsky Conference, Pedro Alves e Hernâni Carvalho propõem um marco que registasse a cisão com os paradigmas de mainstream, designando-a por Psicologia Pós-Clássica. Assim, ao lado dos autores russos, temos o contributo dos estudos de Quintino Aires, uma vez que é integrado o modelo clínico de psicoterapia desenvolvido por este investigador português e por Rita Leal. Estes Os autores citados vieram revolucionar o estudo dos processos psíquicos, uma vez que estes são encarados o produto de um processo relacional e histórico, em oposição às versões de correntes puramente inatistas ou culturalistas.
    Os conceitos de signo, significado e sentido ocupam um lugar crucial na teoria relacional-histórica.
    Vigotsky introduziu a ideia de historicidade da génese do psiquismo humano e da reorganização dos mecanismos naturais dos processos psíquicos no centro da evolução sócio – histórica e ontogénica. Esta reorganização é resultado da apropriação do homem dos produtos da cultura humana no contacto com os seus semelhantes.
    A tese principal da sua teoria é que a estrutura e o desenvolvimento do psiquismo são concebidos pelo ambiente sociocultural, que não é um fator de desenvolvimento, mas uma fonte do desenvolvimento da personalidade.
    Assim, a cultura e a sociedade deixaram de ser considerados apenas uma condição externa para a conduta humana e para o desenvolvimento individual, e passaram a ser a base para a construção deste desenvolvimento. Elas estão intimamente relacionadas na estrutura psicológica do indivíduo, mediando todo o desenvolvimento humano.
    Assim, o ponto básico da teoria de Vigotsky é a noção da natureza social da mente humana, ou seja, a diferenciação entre animal e funcionamento psicológico humano.
    Um animal vive no mundo da natureza e todas as suas funções, incluindo as psicológicas, regem-se segundo as leis da biologia. A natureza humana vai para além disto, ou seja, não nega o processo natural de evolução, mas nele ocorre um processo qualitativamente diferente. Para ocorrer a construção da consciência (unicamente humana) é necessária a relação mutuamente comprometida entre homens, passando a governar as leis da psicologia.
    Aqui está bem patente a influência de Marx em Vigotsky, ao considerar que a essência humana encontra-se nas relações sociais, que vão permitir um desenvolvimento qualitativamente diferente da personalidade humana.
    Nos animais existem funções psicológicas naturais, como a perceção, a memória, a atenção, etc., mas no ser humano desenvolvem-se outras estruturas análogas, mas qualitativamente diferentes, as funções psicológicas superiores (perceção de objeto, atenção voluntária, memória interventiva). Como Luria (1990) explica, as funções psicológicas superiores são sociais na sua origem, mediadas na sua estrutura e voluntárias e deliberadas no seu funcionamento.

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